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Você sabe ou passa a
ter certeza de que seu filho é especial.Podem ter lhe dado um título
como Down, autista, lesado cerebral, excepcional... tem muitos títulos
e cada dia inventam mais, porém o resultado é o mesmo.Escolhemos
o termo especial pois além de mais genérico soa melhor.
Invarialvelmente vêm
os questionamentos: Porque?Pode ter sido aquele susto , o nervoso durante
a gravidez, talvez eu tenha algum problema que eu não saiba ( e
nem os médicos) ou talvez meu marido ( ou minha esposa)...Será
que ele (a) me escondeu alguma coisa? Eu devia ter feito isto ou não
devia ter feito aquilo...E por aí a fora!
Quando se trata de procurar
culpados a mente humana é brilhante! Pessoalmente conheço
pessoas tão comprometidas com esta idéia de culpa que seriam
capazes de morrer queimadas dentro de uma casa enquanto decidem de quem
foi a culpa do incêndio.
Também sei de casos
de mães que tiveram filhos em condições absurdas,
embaixo de ponte, dentro de ônibus, em meio a guerras, mães
com Aids, mães e/ou pais drogados, mãe estupradas, mães
que tomaram mil porcarias para abortar e não abortaram e outras
tantas terríveis situações e a criança
nasceu normal. Soube de casos de crianças jogadas em saco plástico
no lixo permanecendo horas no frio, na sujeira e ficaram normais.Crianças
presas entre escombros, recém nascidas ou ainda na barriga da mãe
em terremotos, desabamentos e ficaram normais.
Vale lembrar que entre milhões
de espermas, apenas um fecundou, o down, o autista ou como queira chamar
já venceu pelo menos uma grande prova e entre milhões. Nem
o mais famoso vestibular é tão concorrido.
Mas, então porque?Porque
eu?Porque meu filho?O que eu fiz para merecer isto?Será algum castigo?Vidas
passadas?
Em primeiro lugar, pare com
este paradigma de culpa/castigo.Isto lhe serviu na infância, mas
não lhe serve mais.
Em segundo lugar, cresça.Este
dualismo conceitual de bom/mal, feio/bonito, culpa/castigo, normal/defeituoso
só serve para mentes pequenas com baixo ângulo do visão.Abra
sua mente.Você mesmo pode achar um ator bonito de rosto mas o corpo
de outro melhor.Uma pessoa mais inteligente e a outra mais bonita.Alguém
bom numa área e péssimo em outra e mediano em um terceira
área.Nem totalmente bom nem totalmente mau..
Com o passar dos anos, evoluímos
em muitas coisas, mas certos conceitos ficam impregnados, embaralhando
nosso julgamento.Ninguém quer fazer apologia a deficiência,
mas chegou a hora de reavaliar com clareza a situação.
Porque têm de haver culpa
se não há crime?
Há muitos "normais"
por aí que invadem cinemas, matam, sequestram, destroem vidas e
são considerados normais!
O conceito de normalidade precisa
ser revisto.Todos desejamos o melhor para nossos filhos, mas o que é
o melhor para um nem sempre é o melhor para o outro.Ninguém
pergunta porque seu filho é normal, porque seu filho é bom.Ninguém
se pergunta porque é saudável, porque não nasceu
deficiente. Nossa mente está programada para receber o bom o belo
sem questionar, como crianças mimadas e no luxo.Um belo dia recebemos
uma missão e aí começam os questionamentos,
as culpas.Somos os primeiros com esta conduta a discriminar nossos filhos.CHEGA!
Somos pais especiais e não
temos tempo e nem condições de ficar com sentimentos inúteis
como culpa, raiva e auto comiseração.Livre de pesos desnecessários,
estamos em condições de lutar e fazer o melhor que pudermos.
Não importam os méritos
dos porquês, importam os fatos.
Olhe nos olhos de seu filho,
aceite-o de coração limpo, veja o que de melhor você
pode fazer por ele.Há muito que fazer e não perca tempo
em coisas mesquinhas. Leia, pesquise, lute, nunca se permita esmorecer.
Uma frase de Pedro Bloch: "
enfrentaremos a situação com a ciência, consciência,
paciência e muito amor"
Lucy Santos
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